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10/11/2016 - 11:15
Rodolfo Guedes, diretor operacional do Credcidadão, falou sobre o funcionamento, objetivo e formas de utilização do programa

Na manhã desta terça-feira, 18, foi realizada no auditório do Credcidadão, em Belém, uma palestra sobre microcrédito para egressos do sistema penal. Rodolfo Guedes, diretor operacional do Credcidadão e ministrante, falou sobre o funcionamento, objetivo e formas de utilização do programa.

Rodolfo Guedes também enfatizou a importância de manter o pagamento das parcelas em dia, para garantir novos empréstimos. “É importante que eles saibam que este microcrédito não é dado, é um empréstimo do Governo do Estado, através do Credcidadão, que os ajudará a começar ou dar continuidade a seu trabalho e assim retomarem suas vidas. Mas para que isso dê certo, é importante garantir o retorno deste dinheiro para que outras pessoas – e até mesmo os próprios ex-detentos -, tenham a oportunidade de fazer um novo empréstimo".

Ele falou ainda sobre a satisfação em participar dessa ação, que, além de beneficiar e ajudar a garantir o sustento de muita gente, também proporciona a oportunidade de recomeçar e transformar a vida das pessoas. “Nossa missão é tornar o crédito uma ferramenta efetiva no fortalecimento do empreendedorismo para gerar trabalho, renda e qualidade de vida e, assim, ajudar muitas famílias, pois quando uma pessoa é beneficiada com o crédito, a família toda acaba sendo beneficiada também, podendo até mudar de vida”.

Carregando no histórico uma passagem pelo cárcere privado e a baixa escolaridade, muitos têm dificuldade em conseguir uma colocação no mercado de trabalho. Sensível a essa situação, o Governo do Estado, por meio do programa Credcidadão, abre a possibilidade de reinserção dessas pessoas no mercado como empreendedores. Para a ex-detenta Mízia Micilene, 29 anos e mãe de três filhos, que ficou três anos presa por tráfico de drogas, esta é uma oportunidade e tanto de recomeçar sua vida, pois sente na pele a dificuldade de entrar no mercado de trabalho. “É uma forma de eu recomeçar a minha vida, já que só encontro portas fechadas pelo fato de eu ter passado pela penitenciária. Minha família mexe com a venda de açaí e penso que talvez esta seja uma oportunidade para ajudá-los, mas também penso na revenda de roupas. Ainda estou decidindo o tipo de trabalho, mas quero ser exemplo para meus filhos agora”.

Com o ex-detento Luis Batista, 48 anos, em liberdade há três meses, não é muito diferente. Ele já tem uma banca de frutas no Ver-o-Peso e com esse microcrédito vai poder recomeçar. “Eu já tenho uma banca de frutas na feira do Ver-o-Peso e pretendo com o crédito comprar mais frutas para revender. É uma chance que tenho de recomeçar a minha vida. E esta palestra de hoje está sendo bem esclarecedora para todos nós”.

A coordenadora de Assistência ao Egresso e Família, Neide Azevedo, fala sobre três pilares importantes para ajudar os egressos na reinserção: trabalho, educação e assistência. “Nessa coordenação de assistência ao egresso, a gente foca muito no trabalho, porque a grande maioria dessas pessoas têm baixa escolaridade. Aí a gente tenta trabalhar a educação formal, mas, principalmente, a questão da profissionalização. E dar essa assistência a eles é fundamental para que não haja reincindências”.

Ela também levanta a importância da sociedade neste papel. “É muito mais fácil a sociedade dar a mão do que as costas para aquela pessoa que está tentando sair da criminalidade. Quando essa pessoa tem a porta fechada, as chances de voltar ao mundo do crime são maiores. E essa é uma das nossas dificuldades para fazer com que a própria sociedade desperte para este problema. Afinal, também faz parte do seu papel contribuir para a reintegração dessas pessoas na sociedade.

A primeira entrega de microcrédito para egressos do sistema penal, em Belém, foi realizada em julho deste ano, na sede do órgão, para três ex-detentos. O Credcidadão ainda está decidindo o dia da próxima entrega, que deve acontecer no final deste mês.

Por Carolina Gantuss